Discussão sobre Toque de Recolher atinge todas as camadas sociais Imprimir E-mail
Seg, 18 de Maio de 2009 23:01



Desde quando começou a possibilidade de se proibir menores de idade até mais tarde na rua, o Toque de Recolher tomou conta de todas as camadas interessadas no assunto e é o temas mais discutido entre eles. Enquanto a juíza da Vara da Infância e Juventude, Izabel Enei, não retorna das férias para se posicionar sobre a questão, a Folha foi às ruas tratar sobre esta determinação que pode mexer em muito com a rorina de Ribeirão Pires.

A aplicação de uma possível determinação judicial sobre o Toque de Recolher, implicaria diretamente na ação e nos trabalhos da polícia como um todo, Conselho Tutelar, Ordem dos Advogados do Brasil de Ribeirão, Câmara Municipal, bares e comércios que vendem bebidas alcoólicas, pais e jovens, que serão os mais atingidos pelas questão.

A ideia partiu inicialmente do vereador José Nelson de Barros (PPS), que conta com o apoio de todos os parlamentares da cidade que querem discutir com todos os nichos da sociedade.

“Não cabe ao Legislativo proceder sobre a questão que é apenas de deliberação do Judiciário. Somos todos a favor pois a maior reclamação que temos hoje na cidade são estes menores estarem a sua própria vontade fazendo coisas ilícitas que prejudicam acima de tudo eles mesmos”, explicou Nelson.

Como o jornal divulgou na sua última edição, a Câmara juntamente com a OAB de Ribeirão aguardam uma audiência com a juíza para tratar sobre a aplicação ou não da medida.

A Folha ouviu a apinião do Conselho Tutelar sobre o Toque de Recolher e conseguiu conversar com quatro dos cinco conselheiros da cidade (um está de férias) e todos são contra a medida. “Somos contra o Toque de Recolher, mas somos a favor de medidas alternativas. Pois se a crianças fica na rua até tarde o problema não está ali e sim nos pais que não conseguem manter seus filhos em casa. O Toque só trataria o sintoma e não a doença”, explicou a presidente do Conselho, Edna Ribeiro Amante.
Ela e os demais conselheiros veem a questão sobre vários aspectos, desde a falta de estrutura para se colocar a medida em prática, caso ela seja aplicada, até a falta de um trabalho posterior para conscientizar o jovem dos perigos de se ficar na rua até tarde.

Para reforçar a contrariedade ao Toque, os conselheiros utilizam o Estatuto da Criança e do Adolescente (Eca), que tem dois artigos que tratam dos direitos sobre a liberdade de ir em vir:
Artigo 15 - “A criança e o adolescente têm direito a liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas Leis”.

O artigo 16 trata de vários aspectos da liberdade como crença e vida política, mas em seu primeiro tópico ele aborda: - “O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos: ir e vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários resalvadas as retrições legais”.
Quem é a favor da aplicação do Toque de Recolher são os propritários de bar, que dizem às vezes serem considerados os maiores vilões nesta situação.

“Não vendo bebida a menores.Vendo a bebida pronta para o consumo dentro do meu estabelecimento. Agora é comum o jovem ir, por exemplo, ao supermercado comprar a garrafa fechada e vir até a região dos bares para consumir e quem leva a culpa somos nós”, disse o dono de bar Luciano Rodrigues.

“A gente tem como não vender bebidas para menores e não vendemos, mas não como impedir o adulto, ou seja, o maior de idade entrar aqui e comprar e repassar ao menor? Por isso sou a favor do Toque, pois o jovem não estando aqui (na rua) o adulto não repassa a ele”, afirma Manoel Alves Pinheiro, também proprietário de bar.

Como autoridade policial o jornal procurou o delegado titular da cidade, Roberto Borges dos Santos, que também é a favor da retirada dos menores de idade da rua.

“É uma medida que traria para a cidade de Ribeirão Pires sobretudo tranquilidade. Reduziríamos expressivamente problemas como vandalismo ao patrimônio público e privado, violência, envolvimento com drogas entre outros problemas ligados aos jovens”, disse o delegado.

Nas ruas a Folha conversou com um casal de pais que tem dois filhos e o menor tem 13 anos de idade, Arthur Afonso Miranda. Ambos são a favor da aplicação da medida como prevenção de problemas.

“Como mãe sou a favor da lei pelos meus filhos e é uma forma de previnir problemas como os que se encontram nas ruas. Mas tem que se levar vários aspectos em consideração como aqueles que estudam a noite e podem ser prejudicados com a obrigação de estar em casa cedo”, disse a dona de casa Gisela Miranda da Silva.

“Sou a favor do Toque que coibiria a situação dos jovens se envolverem com drogas, álcool e violência. Isto seria necessário para os pais dormirem tranquilos”, disse o metalúrgico Marcelo Miranda.

Enfim, alguns jovens também foram ouvidos pelo jornal e todos são categóricos contra a medida: “Para uma cidade turística é muita proibição. Primeiro querem por uma Lei Seca, agora querem o Toque de Recolher. Isso afasta o turista daqui”, disse o estudante Wagner Ramiro de 17 anos.

“Proibir não é o melhor caminho. Ao contrário. É fazer todos pagarem por coisas ruins que outros fazem. Nem todos os jovens que ficam na rua até tarde são baderneiros ou mexem com drogas ou bebem álcool. O Toque de Recolher é uma punição muito ruim que nem todos merecem”, falou Ana Carolina Gomes de 15 anos.

Leia mais no site do jornal Folha.

“A maioria não tem que pagar pelo que os outros fazem. Temos direto de ir e vir e cumprimos nossos deveres. O que tem que ser feito é aumentar a segurança e não nos tirar da rua”, afirmou João Augusto Guilherme, 16 anos.

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